Inferno da Crase

Inferno é o terceiro filme da franquia O Código Da Vinci, baseado na obra de Dan Brown, com estreia no próximo dia 13 de outubro. Este trailler legendado oferece um inusitado uso da crase. Assista e veja se você consegue notar o erro:

Achou?

O texto no vídeo diz:

  • O Código Da Vinci [e] Anjos e Demônios nos levaram à isso.

Nunca ocorre crase antes de isso. Jamais.

A frase correta, portanto, seria assim:

  • O Código Da Vinci [e] Anjos e Demônios nos levaram a isso.

Lembre que crase é a junção da preposição a (similar a para ou até) e o artigo a. Na frase correta acima, estamos usando a preposição apenas. Obviamente, nunca ocorre artigo feminino com isso. Aliás, nem o masculino! Ou alguém fala o isso?

Não lembrava de ter visto esse erro antes de assistir o trailler da Sony Pictures, mas o Google revela que muita gente sim escreve à isso. Alguém criou uma praga.

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Há tempos

tempoO verbo haver é muito utilizado para referir a um período de tempo passado, transcorrido. Por exemplo:

  • Trabalho cinco anos com recrutamento e seleção.

As versões abaixo estão erradas:

  • Trabalho a cinco anos com recrutamento e seleção.
  • Trabalho à cinco anos com recrutamento e seleção.

Veja estes outros exemplos com haver:

  • Ela esteve aqui uns 15 minutos;
  • muito que não jogo futebol;
  • Isso acontece séculos.

A ver ou haver?

Qual das frases abaixo lhe parece correta?

  • Isso tem tudo a ver comigo.
  • Isso tem tudo haver comigo.
a ver ou haver

Gatos têm a ver com preguiça. E invasão de camas.

Quando dizemos que algo tem relação ou semelhança com outra (ou com alguém), usamos a ver. A frase correta, portanto, é

  • Isso tem tudo a ver comigo.

Paraolimpíadas ou Paralimpíadas?

A britânica Hannah Cockroft treina na orla carioca. Imagem: Getty Images.

A britânica Hannah Cockroft treina na orla carioca. Imagem: Getty Images.

Muitas pessoas estão surpresas com o uso das palavras Paralimpíadas e paralímpico. Afinal, não faz muito tempo, falava-se em Paraolimpíadas e paraolímpico. A mudança, porém, nada tem a ver com normas gramaticais do português.

Entenda o motivo

A pedido do Comitê Paralímpico Internacional, autoridades brasileiras e a maior parte da imprensa do país passaram a adotar as formas sem a letra o. O objetivo do Comitê é padronizar mundialmente o uso do termo, em consonância com a forma inglesa Paralympics, forma predominante naquele idioma desde a década de 1950. Há ainda preocupações de propriedade intelectual, já que Olimpíadas e Olímpico são marcas registradas do Comitê Olímpico Internacional.

Apesar de iniciada em 2011, a mudança em português só ficou mais visível (e audível) no Brasil a partir da organização da competição no Rio de Janeiro. Esforço semelhante pela organização do evento havia acontecido em preparação aos jogos de Barcelona, em 1992, quando a forma sem o também prevaleceu em espanhol.

Artificial

A inovação parece ignorar o processo de formação de palavras do português. As palavras originais são formadas pelo prefixo para-, presente em paraplégico, junto às palavras olímpico ou olimpíadas. O corte do o soa pouco natural e dificulta o reconhecimento do significado.

Ainda, de acordo com o professor Paulo Ledur, Continuar lendo